PARNA-SO/TEREVIVA PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO DO MURIQUI

RELATÓRIO: Expedição 4 DATA: 23/08/2003
*Os nomes dos locais de pesquisas foram preservados por motivo de segurança

Local:

Duração: 12/08/2003 a 20/08/2003

Objetivo: Dar prosseguimento às buscas e observações de muriquis na tentativa de definir a melhor área para captura.

Participantes: Regiane, Nicholas, Wilson e Daniel.

Participação especial: Marcelo de Paula e Carla Soares de Paula (Equipe de filmagem)


Expectativas: Esperamos poder indicar uma área apropriada para a captura de um indivíduo do grupo selecionado para posterior colocação de rádio colar.

Ocorrências:

Ø Avistamento muriquis (contato visual, vestígios de folhas, fezes...)

Data: 15/08/2003
Hora: 8:47 h
Posição: ponto altitude aproximada: m.
Condições climáticas: Tempo aberto e bastante sol, sem nuvens.
Cobertura Vegetal: Floresta Ombrófila Densa, início de transição para floresta de altitude (rupestre).
Descrição da Ocorrência: Os pesquisadores se encontravam afastados a aproximadamente 50m um do outro, mas ambos puderam perceber a presença do grupo se aproximando. Alguns animais puderam ser sexados, como 1 macho adulto e 1 fêmea adulta carregando 1 filhote (sexo indeterminado). Além disso, aproximadamente 3 outros indivíduos foram vistos, rapidamente, braquiando entre as árvores. A idéia que tivemos foi de que o grupo se dividiu num raio de 50m em relação ao “Ponto ” e lá permaneceu por alguns minutos (20 min) se alimentando (planta não identificada) e emitindo pequenas vocalizações de comunicação interna. Em seguida, foi observado um indivíduo macho que aparentemente assustado se locomoveu bruscamente em direção, provavelmente, ao restante do grupo, e de lá passou a emitir vocalização de alarme (latidos) que durou aproximadamente 2 min. A partir disso não foi mais possível qualquer tipo de observação, já que acreditamos que o grupo tenha descido em direção ao colo entre as , rumo ao . Durante todo o tempo de observação os pesquisadores se mantiveram silenciosos e praticamente imóveis na mata, já que qualquer barulho vindo de um de nós poderia significar uma resposta negativa aos muriquis, afastando-os e dificultando assim a nossa habituação com o grupo. Podemos afirmar que o grupo nos identificou e talvez por isso tenha se assustado e vocalizado.
Tempo de observação: 30 min aproximadamente


Data: 15/08/2003
Hora: 14:52 h
Posição: Acampamento Base (Acamp.) (), cerca de 707m do “Ponto ” (local da observação da manhã). Altitude: m.
Condições climáticas: Tempo aberto e bastante sol, sem nuvens.
Cobertura Vegetal: Floresta Ombrófila Densa, ciliar (€ €)
Descrição da Ocorrência: Encontrávamos todos no acampamento discutindo o planejamento dos dias de filmagem quando de repente percebemos a presença de 1 fêmea e sua filha de aproximadamente 1 ano de idade. Ambas foram vistas se alimentando em uma árvore em frente ao acampamento e se mostraram aparentemente muito à vontade não se importando com a nossa presença. A díade (mãe e filho) dividiu o seu tempo entre algumas outras árvores da mesma espécie (identificação provisória: Prunus sellowii Koehne; Rosaceae.
Nomes populares: Pessegueiro-bravo, pessegueiro-do-mato, coração-de-negro, varova, etc.) que se encontravam próximas, todas frutificando e servindo de fonte rica de energia. Passado alguns minutos, elas se locomoveram para dentro da mata onde se juntaram a mais alguns outros indivíduos (aproximadamente 2 ou 3) e seguiram em direção ao “Ponto ”. Foi possível a captação de imagens digitais e fotográficas. Não pudemos diagnosticar se esta se tratava da mesma fêmea com filhote vista na parte da manhã. Ficou bastante claro que a nossa presença pôde ser percebida e numa tentativa de especulação poderíamos dizer que aqueles bichos de certa maneira poderiam ter sido atraídos pela movimentação do acampamento, como vozes, passos, cheiro de fumaça e outros.
Tempo de observação: 30 min aproximadamente

Data: 20/08/2003
Hora: 10:31 h
Posição: ponto ()
Condições climáticas: Sol e céu aberto, a mata ainda estava úmida devido à chuva dos dias anteriores.
Descrição da Ocorrência: Montávamos ponto de observação próximo ao “Ponto ” quando começamos a perceber a presença (barulho de frutinhos caindo no chão) de animais se alimentando nas árvores acima de nós, à 25m aproximadamente, na trilha. Enquanto esperávamos, ouvimos uma vocalização curta emitida, provavelmente, por causa de um vôo rasante feito por uma ave sobre a copa onde os animais se encontravam, e em seguida alguns sinais curtos de comunicação interna. A partir daí, mesmo sem ser possível a observação visual, pudemos reconhecer a vocalização e tivemos então a certeza de que se tratava de um grupo, ainda indeterminado, de muriquis. Após alguns minutos, 1 fêmea jovem (aproximadamente 5 ou 6 anos) se aproximou a 10m do nosso ponto e agitada, braquiava entre as árvores com bastante leveza em busca de mais frutinhos. Quando de repente a mesma se assustou e se dirigiu rapidamente em direção a um outro ponto onde provavelmente haviam mais indivíduos. A partir daí a observação visual não foi mais possível e passamos a ouvir vocalização de alarme que foi bastante interrompida por intervalos de silêncio mas que no total durou pelo menos 3 min. Após alguns minutos, às 11:13 h voltamos a ter contato visual com o grupo, que dessa vez, se mostrava representado por um número maior de integrantes. A movimentação foi muito intensa nas imediações do “Ponto ”, eles se subdividiram bastante cada qual se preocupando em ocupar o seu espaço nas copas das árvores carregadas de frutos (especula-se ser o mesmo visto em outros avistamentos); apesar de tudo isso éramos obrigados a ficarmos imóveis e o mais desapercebido possível para não assustá-los. Foi possível a identificação de pelo menos um número de 4 ou 5 machos adultos todos aparentemente de idades e portes parecidos, além de mais outros 2 ou 3 que não foram bem individualizados. Inclusive um dos machos adultos não se intimidou com a nossa presença e chegou muito próximo, a menos de 12 m, e ocupou um lugar cativo na copa de uma das árvores frutíferas, bem à cima de nossas cabeças, passando um tempo de aproximadamente 10 m se alimentando. Esse foi, sem dúvida um dos melhores momentos já tidos com esses animais, principalmente á essa distância. Foi possível a obtenção de registros digitais e fotográficos, e a nossa permanência com o grupo durou até o momento (11:50 h) em que eles começaram a se dispersar tomando a mesma direção do avistamento anterior, ou seja, rumo ao colo entre o e .
Tempo de observação: 1h e 20 min aproximadamente


Ø Avistamento outros (primatas, mamíferos em geral, aves...)
Data: 15/08/2003
Hora: 7:52 h
Posição: Ponto ()
Condições climáticas: Tempo aberto com muito sol
Descrição da Ocorrência: Subindo a trilha do “” para montar ponto de observação foi registrada a presença de um grupo relativamente grande de macaco-prego (Cebus nigritus) que se encontrava bastante espalhado pela mata. Eles imediatamente se assustaram com a presença do observador e emitindo sinais de alarme rapidamente saíram do raio de visão.
À s 11:50 h, foi possível também a observação de um grupo de quatis (Nasua nasua) que forrageavam ao longo da trilha, nas imediações do “Ponto ”. Estes também se assustaram e se dirigiram rapidamente para o estrato médio das árvores, de onde emitiram sinais de alarme e logo então saíram do campo de visão.


Ø Vestígio de caçadores (presença, antigos ranchos...), pesquisadores, montanhistas...

Vestígios de pessoas pela mata
Data: 13/08/2003
Hora: 11:00 h
Posição: próximo ao Ponto ()
Detectamos que além da trilha já feita por antigos pesquisadores (trilha marcada com fitas vermelhas), havia uma outra extremamente recente (que especulamos ter sido feita há poucos dias), que partia desta e seguia em direção à base do (direção aproximada 250º). Ao longo do caminho percebemos que a trilha se encontrava muito bem sinalizada, com marcas de facão pelas árvores e bambus e plântulas cortadas. Até onde a acompanhamos, vimos que a trilha chega próximo à base do , podendo ter como destino ele próprio ou até mesmo as Três Marias, ambas áreas intangíveis do ?. Além disso, ao descer pela trilha utilizada por nós (do ao Acampamento ), em determinado momento esta se encontrava visivelmente interrompida por galhos e gravetos no ponto onde cruza com a trilha das fitas vermelhas, provavelmente indicando uma nova direção a seguir.

Objeto encontrado na mata
Data: 15/08/2003
Hora: 7:40 h
Posição: início da Trilha do
No início da trilha que usamos do Acampamento Base ao , foi encontrado um facão marca Tramontina, tamanho 16, com bainha de couro, escondido por entre as raízes de uma árvore no meio da trilha. O facão se apresentava um pouco enferrujado, mas ainda em bom estado.

Presença de pessoas pela mata
Data: 16/08/2003
Hora: aproximadamente 13:00 h
Posição:
Enquanto um dos carregadores da equipe subia levando mantimentos, este observou nas proximidades do , a presença de dois indivíduos com mochilas nas costas e roupas camufladas que desciam da mesma região. Devido às condições de mau tempo (chuva e nevoeiro) não foi possível confirmar serem montanhistas ou caçadores. Seguindo o protocolo do parque, às 14:37 h o Wilson, guia da equipe, contatou via rádio (HT) a base do parque, falando com o vigilante Edmar, relatando todas as informações do ocorrido.


Ø Coleta de material (dados comportamentais, fezes, sangue, tecido...)

Não

 
 
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