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Uma
história de Preservação |
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Comitê
de Conservação e Manejo do Muriqui, criado pelo Ibama
vai sugerir estratégias para salvar o maior primata das Américas,
um dos 25 primatas mais ameaçados do planeta |
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Um
comitê de especialistas foi criado pelo Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para
proteger os Muriquis - também conhecidos como mono carvoeiros
-, uma das cinco espécies mais ameaçadas de extinção
entre os primatas brasileiros e uma das 25 mais ameaçadas do
mundo, segundo lista internacional divulgada no início de outubro.
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Num
trabalho que teve duração de 10 meses, o Projeto, fruto
de Convênio do IBAMA com a TEREVIVA, que teve a Coordenação
Biológica da Profa. Vânia Garcia, confirmou a existência
de grupos de Muriquis na Serra dos Órgãos, sem registro
oficial anterior. Muitos achavam que não mais existiam Muriquis
no Rio de Janeiro, porém haviam relatos de montanhistas e até
algumas fotos. “Conseguimos encontrar, já nas primeiras
expedições, vários grupos, somando entre 60 e 70
indivíduos, incluindo filhotes, que foram documentados através
de filmes e fotos”, conta Jovelino Muniz de Andrade Filho, representante
das unidades de conservação federais do Sudeste e Chefe
do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Este número,
entretanto, pode crescer com a continuidade do trabalho, pois são
grandes as dificuldades de locomoção das equipes de pesquisa
nas áreas do Parque. Além do trabalho de pesquisa biológica,
o Projeto também se dedicou a realizar ações junto
às comunidades de Guapimirim e Teresópolis, lindeiras
ao Parque, num trabalho de divulgação da necessidade de
preservação do Muriqui, de ações de educação
ambiental e de apoio em ações de criação
de trabalho e renda.
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A
primeira ação do comitê será apoiar a segunda
fase desse projeto, que consistirá na pesquisa da ecologia e
comportamento da espécie, através de acompanhamento dos
grupos encontrados e colocação de rádio colar.
“Fizemos uma experiência com animais em cativeiro e agora
colocaremos, pela primeira vez, os colares em Muriquis soltos na natureza.
O objetivo é conseguir fazer um manejo conservacionista da espécie”,
explica Cláudio Pádua, diretor científico do Instituto
de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). Segundo o especialista, a mesma metodologia deverá ser levada para outras unidades de conservação, onde existem relatos da presença de Muriquis, como os Parques Nacionais de Itatiaia e Bocaina, Reserva Biológica de Tinguá e Área de Proteção Ambiental Cairuçu, todos no Rio de Janeiro. “O comitê deverá desenvolver um plano de ação para toda a Mata Atlântica, com uma divisão de pesquisas por região”, diz Pádua. Além do Ibama e do IPÊ, estão representados no comitê a Fundação Biodiversitas, o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Espírito Santo, a Universidade de Wisconsin (EUA) e a Estação Ecológica de Caratinga. |
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| Duas espécies | |
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Maior
primata brasileiro, o Muriqui é separado em duas espécies,
por conta de diferenças morfológicas e sociais. O Muriqui
do Norte (Brachyteles hypoxanthus) possui face e genitália manchadas
de rosa e branco e vestígios do dedo polegar. Ocorre em Minas
Gerais,Espírito
Santo, parte do Rio de Janeiro e, originalmente, também na Bahia.
O Muriqui do Sul (Brachyteles arachnoides) apresenta a face e a genitália
inteiramente de cor negra e sem qualquer vestígio do dedo polegar.
Sua área de distribuição inclui Rio de Janeiro,
São Paulo e Paraná. |
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Os
Muriquis, ou mono carvoeiros, são animais que chegam a medir
1,40 m da cabeça à extremidade da cauda e pesam até
15 quilos. Sua pelagem é espessa e de cor amarelada. Alimentam-se
de folhas, flores e frutos e vivem em grupos que variam entre sete e
trinta indivíduos. Sua população original chegou
a se estimada em 400 mil indivíduos, mas os dados mais recentes
sugerem que a população esteja reduzida a menos de 800
exemplares. |
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